Pré-candidata a vice-prefeita de Araguaina, Vera Lúcia Caixeta, explica sobre golpe de 2016 contra Dilma

ARTIGO

POR Vera Lúcia Caixeta

Hoje, faz 4 anos do golpe contra Dilma. O golpe de 2016 impõe uma dura derrota ao governo do PT, mas é só a ele? A destituição da presidenta Dilma significou sua retirada do governo, porém, mais do que isso, representou a crise dos valores e das instituições democráticas, interromperam-se as articulações para o fortalecimento de uma agenda sul/sul, promoveu-se um refluxo do movimento histórico da libertação feminista, demarcou o fim da ascensão social da classe trabalhadora, além de imprimir uma agenda de privatizações das empresas nacionais e comprometer recursos naturais do país.

Em resumo, a esquerda perdeu uma batalha na qual as forças vitoriosas foram aquelas ligadas à burguesia e ao capital transnacional e, por isso mesmo, o país se fragiliza social e economicamente.

Certamente, a chegada ao poder da extrema direita política, com um projeto econômico neoliberal capitaneado por Bolsonaro e por Paulo Guedes, deve ser vista em articulação com a crise do capitalismo que se abateu, especialmente, sobre os países centrais, em 2008.

Para seu sucesso, foi fundamental a operação “Lava a Jato”, conduzida por Sérgio Moro seletivamente contra os integrantes do PT, contra Lula e contra alguns empresários nacionais, ao que parece sob fortes interferências e interesses dos EUA.

A partir do golpe, impôs-se uma agenda econômica neoliberal que incluiu o combate às empresas públicas e o congelamento dos salários do funcionalismo.

“Esse projeto privatista em curso incluiu a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista, a privatização dos fundos de pensão, o contingenciamento de recursos para as universidades, o combate à ciência e a constante perseguição ao funcionalismo público e aos direitos dos trabalhadores/as, além de novas tentativas de privatização. Essa agenda representa os interesses da burguesia ao defender a ampla redução do tamanho do Estado e o fim do Estado do Bem Estar Social”

De certo, a política econômica do Paulo Guedes se ajusta aos interesses do capitalismo internacional que, ao fim e a cabo, significa a recolonização do país. Nesse sentido, a agenda moralista e conservadora relacionada aos costumes, empunhada pela ministra Damares, não pode ser vista apenas como uma espuma de fumaça a encobrir e/ou desviar a atenção da pauta neoliberal do ministro da economia, pois as agendas são complementares.

A defesa do modelo tradicional de família, propalado pelas religiões neopentecostais, mas também por grande parte da igreja católica (muitas vezes à revelia do Papa Francisco) ajuda a reforçar a dominação masculina, a submeter a classe trabalhadora, a subalternizar as mulheres e ainda responsabilizar, não mais o Estado, mas a família e em especial as mulheres, pelo cuidado com a vida, do nascimento até a morte!

Frente a esse quadro, a resistência só pode ser feita pelo/as trabalhadores/as. A grande parte da classe política brasileira está agrupada nos vários partidos de direita, por demais comprometidos com um projeto de governo neoliberal que retira direitos históricos dos trabalhadores e proporciona a concentração das riquezas nas mãos de poucos. Esse projeto neoliberal não interessa à classe trabalhadora porque é um projeto das elites para a manutenção das elites nacionais e estrangeiras.

O nacionalismo verde-amarelo de camisas de futebol e bandeiras empunhadas pelos golpistas serve apenas de disfarce para uma gestão que entrega as riquezas nacionais a conglomerados internacionais, ao mesmo tempo em que nos torna mais subalternos e surrupia nossos empregos, afastando-nos cada vez mais de um horizonte de desenvolvimento econômico sustentável.

“Nessa nova fase, cabe ao PT, maior partido de esquerda da América Latina, disputar as eleições sem alianças com os partidos burgueses. O capitalismo, como modo de produção burguês, não interessa à classe trabalhadora. Precisamos construir alternativas que vão além de administrar o capitalismo. É preciso mostrá-lo como projeto social de reprodução, como modelo patriarcal, machista e excludente que precisa ser superado, em benefício da classe trabalhadora e da própria existência do planeta”

O PT precisa apresentar uma agenda progressista, com ampla participação popular, disputar a hegemonia nos bairros, nas escolas, nas empresas, etc., fazendo com que a política migre do campo dos favores para o campo dos direitos. Ao mesmo tempo, é preciso defender as empresas públicas, a saúde, a educação e a segurança, pois são elas que garantem a vida plena aos trabalhadores/as. Enfim, essa “gente do bem” que ocupa o governo não é boa para a classe trabalhadora, apenas para o capital e interesses particulares.

Os quatro anos de golpe evidenciam que é hora de luta. É hora de retomarmos a direção no curso da história. A bandeira a empunhar em benefício dos trabalhadores, sem dúvidas, é a do PT!

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