Carta Aberta dos movimentos sociais do Piauí em repúdio ao leilão de terras que ocorreu no estado do Piauí

Movimentos, organismos e grupos sociais se unem através de uma Carta Aberta contra o Leilão de terras públicas estaduais promovido no dia(10/11) pelo governo do Piauí. Confira o documento:

Considerando que a gestão do patrimônio fundiário do Estado diz respeito a todos os piauienses, e não deve ser utilizado para fins econômicos, ao invés de fazer a concessão da terra.

“A alienação de imóvel público tem como objetivo a expansão do agronegócio, na região do cerrado e Semiárido, além de contribuir para o desmatamento de áreas de vegetação, impedindo a destinação dessa área a grupos de famílias que habitam as periferias de Canto do Buriti e tantos trabalhadores que migraram para outros Estados em busca de emprego e renda, além do aumento de conflitos fundiários. Sendo que as terras destinadas essas famílias contribuirão para o enfrentamento da crise de desabastecimento e combate a fome no estado do Piauí.”

Confira o documento:

CARTA ABERTA E RECLAMAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO PIAUÍ 

Nós dos movimentos sociais do Piauí lançamos esta Carta-Reclamação manifestando nossas  preocupações com o agravamento da violação dos direitos humanos e fundamentais dos Povos  e Comunidades Tradicionais do Piauí, por ser historicamente um dos Estados mais desassistidos  e invisibilizado na maioria das Políticas Públicas. 

Oferecemos RECLAMAÇÃO à realização de alienação do imóvel rural “FAZENDA DO GURGUÉIA”  (CAJUNORTE), localizado no Município de Canto do Buriti, modalidade Concorrência, conforme  PROCESSO SEI N 00071.007465/2020-18-SEADPREV-PI, e aviso de Audiência Pública expedido  pelo INTERPI, em 21 de outubro de 2020, a realizar-se no dia 10/11/2020, às 10:00 horas, no  Auditório da Secretaria de Administração do Estado do Piauí. 

A melhoria e eficiência das práticas de regularização fundiária no Piauí é um tema importante,  considerando que a concentração de terra, no Piauí, ostentava a 8ª colocação no Brasil, no índice  GINI, com 0,859. Em 2017, cerca de 5,77% dos maiores estabelecimentos agropecuários  detinham 69,52% da área total. Do outro lado, cerca de 90,83% dos menores estabelecimentos  rurais ocupavam 30,48% da área total. 

Necessário que, antes de qualquer iniciativa de venda de imóvel público, o Estado do Piauí, via  INTERPI, informe à sociedade e ao sistema de justiça toda a área pública que estaria disponível  para a privatização. Inclusive o imóvel acima referido no Edital de alienação, possui outras  destinações prioritárias por suas características geográficas e socioambientais, podendo servir  como demandas de reconhecimento e assentamento de pequenos agricultores, agricultura  familiar, conservação ambiental e concessão de uso. 

A alienação de imóvel público tem como objetivo a expansão do agronegócio, na região do  cerrado e Semiárido, além de contribuir para o desmatamento de áreas de vegetação,  impedindo a destinação dessa área a grupos de famílias que habitam as periferias de Canto do  Buriti e tantos trabalhadores que migraram para outros Estados em busca de emprego e renda,  além do aumento de conflitos fundiários. Sendo que as terras destinadas essas famílias contribuirão para o enfrentamento da crise de desabastecimento e combate a fome no estado  do Piauí 

Alertamos que, caso o Estado do Piauí disponha de áreas públicas estaduais que considere  estratégico estimular uma atividade econômica , o mais adequado para o interesse público seria  fazer uma CONCESSÃO, ao invés da venda da terra.

Por esse instituto, o interesse da sociedade estaria preservado, pois é feito com quem oferecer  o melhor preço e melhores condições de exploração, sendo possível inclusive o cancelamento  em caso de descumprimento contratual. 

Considerando que a gestão do patrimônio fundiário do Estado diz respeito a todos os piauienses,  REQUEREMOS: 

– Garantir a segurança de territórios ocupados por populações indígenas, quilombolas e  tradicionais, além de garantir a conservação ambiental nas terras públicas; 

– Assegurar e viabilizar os instrumentos de CONTROLE SOCIAL e TRANSPARÊNCIA na tomada de  decisão sobre a destinação de terras públicas; 

– Adotar práticas no órgão fundiário, Procuradoria Geral de Estado, Secretarias, que permitam  agilidade e segurança de suas ações na gestão do patrimônio público. 

– SUSPENSÃO da referida alienação do imóvel FAZENDA CAJUNORTE, até acompanhamento e  pronunciamento do Ministério Público estadual acerca da oportunidade, conveniência e  legalidade do procedimento de alienação. 

Assinam o documento: 

Comissão Pastoral da Terra 

Coletivo de Povos e comunidades Tradicionais do Piauí 

Movimento Amigos da Natureza 

Associação de Moradores e Pequenos Produtores do Estado Do Piauí 

Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA 

Associação dos Pequenos Agricultores do Estado Do Piauí 

Associação Piauiense de Agricultura Camponesa 

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST 

Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar – FETRAF-PIAUI

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