Curso busca conscientização e reflexão em rede de atendimento à mulher em Porto Nacional

O 1º Curso de Formação da Rede de Atendimento à Mulher de Porto Nacional, foi aberto na noite de quinta-feira, 28

Interatividade, conscientização, resistência, formação, arte e reflexão estiveram em destaque no 1º Curso de Formação da Rede de Atendimento à Mulher de Porto Nacional, aberto na noite de quinta-feira, 28, no Instituto Federal do Tocantins (IFTO) em Porto Nacional. Os participantes se envolveram para debater as principais causas e consequências da violência contra a mulher, considerando aspectos jurídicos, psicossociais e culturais.

Antes de iniciar os debates, apresentações culturais tomaram conta do evento com interpretação de poesia sobre os direitos da mulher, animação com a palhaça Tapioca e apresentação musical com o grupo “Batuque Mulher”, que ao som do tambor, surdo, pandeiro e tamborim cantaram e tocaram hinos e versos a favor da resistência e contra a violência e o preconceito.

Com uma participação efetiva de representantes de instituições da rede de atendimento à mulher, a programação contou com as palestras “Violência de gênero na atualidade – dificuldades e avanços”, ministrada pela professora-doutora do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Glays Ially Ramos; e “Direitos Humanos com enfoque na violência de gênero”, ofertado pela defensora pública Franciana Di Fátima Cardoso, coordenadora Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem).

A defensora pública Denize Souza Leite, uma das organizadoras do evento, disse, na abertura, que o momento era a realização de sonho. “É uma satisfação imensa por cada instituição ou pessoa que atendeu ao nosso chamado para que, juntos, possamos fazer um divisor de águas no enfrentamento à violência contra à mulher no nosso município e regiões vizinhas”, disse Denize. A defensora lembrou que a violência contra a mulher é uma chaga na sociedade portuense, uma violação de direitos humanos. Porém, a Defensoria Pública acredita que não se trata de uma luta impossível. “Como diz o poeta, não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, disse Denize ao citar Jean Cocteau.

Dispositivo de honra

A mesa de honra foi composta pelo defensor público Marcello Tomáz, diretor regional da DPE-TO em Porto Nacional; a secretária municipal de Assistência Social de Porto Nacional, Verônica Fontoura; pelo diretor da Escola Superior da DPE-TO, Neuton Jardim; o diretor geral do IFTO, Edilson Leite de Souza; o juiz da 2ª Vara Criminal de Porto Nacional, Alan Martins Ferreira; a promotora de justiça Márcia Mirele Stefanello; a advogada e secretária adjunta da OAB de Porto Nacional, Adriana Padro; o capitão Gomes do 5º Batalhão da Polícia Militar de Porto Nacional, a presidenta do Conselho Municipal da mulher, Gilma Alves Ferreira Torres; o representante do Grupo de Consciência Negra do Tocantins, Luciana Pereira Silva, e o delegado de polícia Diogo Fonseca.

Todas as instituições que compõem a rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica em Porto Nacional reforçaram a importância do fortalecimento. A secretária de Assistência Social de Porto Nacional, Verônica Fontoura afirmou que é essencial a união de todos os membros da rede para que se possa prestar o devido acolhimento, encaminhamento e acompanhamento das vítimas. “Seria bom se não houvesse a violência, que não se precisasse de um curso para tratar dessa problemática. Mas a realidade é preocupante e essa capacitação nos fortalece a buscar ainda mais o nosso direito de ser respeitada”, declarou.

O defensor público Marcello Tomáz considerou o curso um importante debate público de conscientização sobre a integridade e respeito com as mulheres. “Sempre presenciamos agressões covardes contra as mulheres. Por isso, fortalecer a rede integra a nossa missão institucional”, complementou. O defensor público Neuton Jardim parabenizou a equipe da DPE-TO pela organização do evento e incentivou a união de todos os membros da Rede. “A Defensoria Pública festeja esse momento de fortalecimento das políticas públicas em defesa dos direitos da mulher”, considerou.

O diretor do IFTO em Porto Nacional ressaltou o empenho da Defensoria Pública na realização do curso. “Sabemos que trata-se de uma batalha antiga da rede de atendimento da mulher. Então chegou a hora de todos se unirem em mais essa luta, assim como a união da Defensoria com a comunidade e outras instituições foi essencial na questão da ponte de Porto Nacional”, disse.

Palestras

A palestra da professora Glays Ially Ramos abordou os desafios e avanços da violência de gênero na atualidade. Ela destacou o fato da sociedade coagir as mulheres no que tange a um perfil conservador. “Querem impor um padrão de vestimenta, de cuidado com a casa e com os filhos. É terrível a intimidação quanto à roupa que a mulher deve usar. Se ela não tiver autoestima suficiente para escolher a roupa, também não terá para sair de um relacionamento abusivo”, apontou. Glays apontou como avanço a inserção de mulheres nas tomadas de decisões, mas ressaltou que muito mais ainda necessita ser feito. “As mulheres no sistema de justiça colecionam violência, mas alerto apenas quanto ao assédio, mas a falta de espaço em ambientes de poder.”

Muitos estudantes estiveram presente no curso de formação, como a aluna do curso de Serviço Social, Ellen Souza, e aprovaram a realização do evento. “Foi muito importante porque nos deu uma nova visão sobre o empoderamento feminino e nos anima a continuar na luta por nossos direitos”, considerou a estudante.

A defensora pública Franciana Di Fátima falou sobre os Direitos Humanos com enfoque na violência de gênero, reforçando que a o preconceito contra os direitos humanos é uma das principais causas para a violência. “Há sempre aquele discurso de que direitos humanos é coisa de esquerdista, de comunista, para proteger bandido, mas se trata de um mecanismo de proteção da tutela do ser humano, em prol dos direitos básicos do cidadão”, defendeu Franciana. Ela reforçou ainda que os direitos humanos existem para combater as atrocidades, como o julgamento da roupa e a culpabilidade da vítima do assédio. A defensora pública relembrou também casos e personalidades importantes da sociedade atual na defesa dos direitos humanos. “Muitas mulheres que lutam por direitos humanos morreram por incomodar homens de poder e aqueles a quem os direitos humanos incomodam”, disse Franciana, ao relembrar a vereadora Marielle Franco. A defensora pública encerrou a palestra conclamando a todos os presentes a lutarem contra a cultura do preconceito. “Que a gente possa superar esta cultura do machismo patriarcal que está acabando com o direito das mulheres e, acima de tudo, o respeito.”

Curso

A iniciativa do 1º Curso de Formação da Rede de Atendimento à Mulher de Porto Nacional é da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), por meio da Escola Superior da Defensoria (Esdep), do Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) e da 3ª Defensoria Cível e da Violência Doméstica de Porto Nacional. O Evento iniciou na noite desta quarta-feira, 27, com a abertura oficial. O evento acontece até a sexta-feira, 29, no Câmpus portuense do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), contando com diversas palestras e momentos de discussão…(Cinthia Abreu  – Ascom DPE-TO)

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